luzes do céu
no céu elas brilham, paradas
numa luz fraca, mas constante
paradas nos olhando, nos vendo por dentro
enquanto giramos, sozinhos, distantes
O tempo passa, a vida passa...
elas ficam, sempre nos vendo de cima
vendo nosso mundo, nossas vidas
vendo as peças que o destino nos prega
Destino ingrato esse
que com nossas vidas brinca
com uns brinca de fazer sorrir
com outros de fazer chorar
e elas vendo o que é feito conosco
faz o impaciente esperar,
deixa o amante sozinho,
o sonhador sem dormir...
E vejam só esta minha presunção
acreditar que possam olhar para mim
dentre tantas vidas e destinos
olhar para o sonhador que sozinho espera
esse destino sombrio e incerto
onde amo sozinho e perdido
onde espero no fim da esperança
este sonho que de mim foi roubado
Vocês que de cima me olham
que dizem saber o futuro
porque não me mostram o caminho?
porque só me deixam no escuro?
Para uns brilham de longe
a outros sorriem pertinho
para mim um escarnio feio
Ah estrelas, como as odeio...
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